domingo, 27 de janeiro de 2013

Mais de 15 razões para se tratar Obesidade Infantil :e dietas: uma difícil escolha

Obesidade e dietas: uma difícil escolha 

 

Não existe uma só modalidade de excesso de peso ponderal, ou seja, obesidade. Devemos sempre falar em "obesidades" no plural, porque, sem dúvida, leve ganho de peso da adolescente que brigou com o namorado e comeu uns quilos de chocolate a mais nada tem a ver com o insaciável obeso, cujo excesso de peso vem da infância, progrediu pela adolescência e ganhou força de obeso mórbido (ou grau III) ao redor dos 30-40 anos. Obviamente a adolescente, que brigou com o namorado em breve terá novos amores e vai baixar ao peso normal enquanto o robusto obeso grau III irá lutar toda sua vida para tentar baixar o peso, com alguns sucessos, mas muitos fracassos, passando a ser o tipo gangorra ou sanfona que engorda-emagrece-engorda.

A ciência genética indica que este exemplo de obeso tem enorme probabilidade de estar ligado a vários genes que induzem obesidade. A maior recente descoberta neste controverso campo de pesquisa é que o gene FIO (fator de indução de obesidade) quando modificado, gera uma vontade enorme de comer quantidades enormes de alimentos altamente calóricos (bolo de chocolate com calda) e de beliscar a toda hora, principalmente à noite.
Muitas dietas e poucos resultados
Em artigo publicado recentemente, em importante revista médica, os autores estudaram os resultados de quatro diferentes dietas em 881 obesos, altamente motivados, inteligentes, cultos indivíduos que recebiam instruções mensais sobre nutrição - em grupos ou individualmente. Eles tinham acesso aos médicos e nutricionistas para esclarecer dúvidas e aprender os fundamentos científicos da composição dos alimentos e das bebidas que lhes eram oferecidas. As dietas foram, basicamente, de quatro tipos: baixa em carboidratos, ricas em proteínas, baixa de gorduras, e as chamadas balanceadas.

Ao fim de seis meses todos os participantes tinham perdido 6 kg (não importando a dieta), mas ao fim de um ano começaram a ganhar peso. Ao fim de dois anos os gordinhos tinham uma perda ponderal de apenas 4 kg. Os autores do trabalho concluíram que qualquer que seja a dieta a perda de peso é a mesma e relativamente irrisória. Não concordo em nada com esta conclusão apressada e aparentemente pouco lógica. É importante, adaptar a dieta ao obeso, é essencial a participação do médico, é crucial a mudança do estilo de vida (sedentarismo).
Centenas de dietas vêm sendo propostas
Aproximadamente 20 ou 30 anos atrás, nos EUA, iniciou-se um período de verdadeira "neurose quanto as gorduras" por se julgar que toda a culpa das coronariopatias era devido ao elevado consumo de gordura animal.

Louvava-se os óleos vegetais poli-insaturados, abolia-se a manteiga, satanizava-se os ovos. Foi a época das dietas com elevado teor de Carboidratos (pães, massas, batatas) devido ao fato de se acreditar que as calorias dos farináceos eram menos "engordativas" que as fornecidas pelos presuntos, bacon, linguiças, carnes gordas, etc.

Nos anos 70 o popular Dr. Atkins lançou a dieta que se contrapunha a todos os preceitos da época: muita gordura, ovos fritos com bacon, queijos em profusão, presuntos, etc., e nada de carboidratos. Os gordinhos deliravam, pois comiam do bom e do melhor e perdiam muito peso pelo fato de, rapidamente, entrarem em estado de "cetose", isto é, substâncias derivadas do metabolismo de gordura que dão um hálito peculiar que lembra a acetona.

Mais recentemente surgiu com grande êxito a dieta das proteínas em que se estabelece "sinal verde" para proteínas animais (carnes, aves, peixes, queijos magros, ovos) e reduz a ingestão de carboidratos de alto índice glicêmico -- os que viram rapidamente açúcar no corpo humano. Nestes últimos 12 meses, vimos publicados artigos defendendo a dieta de proteínas, a dieta do Mediterrâneo e a dieta balanceada.

O fato é que os obesos NÃO são iguais sob o ponto de vista metabólico. Na mesma dieta alguns perdem mais peso que outros. Quando existe uma profunda e excelente relação médico-paciente o resultado é sempre melhor. O que se pode concluir deste estudo de dois anos é que os fatores comportamentais são mais importantes que alterações em carboidratos, gorduras ou proteínas.

 A incapacidade de pessoas obesas, que são voluntárias a participar destes estudos a longo prazo (dois anos), é algo próprio da condição humana: ninguém aguenta ficar dois anos em disciplina alimentar severa e restritiva, mesmo com permanente assistência médica, psicológica e nutricional. Neste ponto pergunta-se: qual a solução para a enorme crise de Obesidade (sempre crescente) que assola o planeta?
Uma cidade do sul da França talvez tenha a
Nesta pequena cidade francesa notou-se que os escolares estavam se tornando obesos, isto é, cerca de 18% das crianças eram bem gordinhas. Deliberou-se que toda a comusoluçãonidade deveria tomar parte em um projeto para resolver o problema. Portanto, o prefeito. como os donos de lojas, os professores, donos de farmácia e de restaurantes, associações esportivas, o jornal e rádio locais, médicos, enfermeiras e nutricionistas, TODOS se empenhariam no sentido de motivar as crianças a perder peso e a ter um programa de exercícios.

A cidade construiu mais centros poli esportivos, indicou itinerários para caminhadas e contratou vários instrutores de esportes variados. As famílias fizeram concursos de cozinha mais leve e dietética e fizeram rodízio de crianças para almoço e jantar.

Após três anos o índice de obesidade infantil decresceu para 8% (comparativamente a uma comunidade vizinha onde a obesidade infantil permanecia em 17%). O sucesso desta ação comunitária foi tão grande que hoje cerca de 200 cidades europeias estão seguindo o mesmo modelo. A conclusão é que muitas vezes a obesidade não pode ser resolvida individualmente, mas necessita apoio comunitário - uma medida, mais importante, creio eu, que o tipo de DIETA.  Quem sabe no Futuro nossa cidade de Campinas sp e região não adere a este programa. Vamos lutar por isto.

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